sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Judoca baiana Andréia Almeida sonha com seleção brasileira.

25/11/2011
Salvador, Bahia

Sem apoio a atleta baiana vai treinar com equipe cubana em Havana

Aos 25 anos, 15 deles dedicados ao judô, Andréia Almeida esgotou suas possibilidades no estado. Dominou os Campeonatos Baianos na última década e teve boas participações em zonais e Brasileiros.

O caminho traçado apontava para uma carreira de sucesso. O sonho de entrar na seleção brasileira não parecia tão distante. Mas a trilha que se mostrava segura sofreu alguns desvios.

Em 2008, Andréia engravidou de Maria Luiza, hoje com dois anos e meio. Parou de treinar e ficou mais de um ano sem competir.

Moradora das palafitas na Cidade Baixa, há um mês teve que deixar sua casa devido a intervenções de urbanização. Com os R$ 200 mensais pagos pela prefeitura, mudou-se com a mãe, filha, três primos, três irmãos e três sobrinhos para uma casa de dois quartos na Baixa do Fiscal.

Sem emprego, conta com o pai de Maria Luiza para pagar as despesas da criança. A mãe é lavadeira e os irmãos ajudam no sustento com serviços de doméstica ou de pedreiro.

No último Brasileiro, semana passada em Florianópolis, Andréia foi 9º. Um terceiro lugar já daria vaga na seleção C, com salário de R$ 900.

Agora, ela quer disputar a seletiva em fevereiro, em São Paulo, para tentar, mais uma vez, conseguir uma vaga. Só assim pode sonhar em disputar o Mundial por equipes em Salvador e projetar participação nos Jogos de 2016, no Rio.

Oportunidade Para isso, nos próximos dois meses Andréia vai se afastar da filha e do tatame do projeto social Santa Cruz, onde dá aula e treina com sua técnica, Rosilda Correia, na Ribeira.

Ela própria fruto de inicativa semelhante - começou na igreja da Penha com o padre Reginaldo - vai treinar, a convite, com a seleção cubana, em Havana. A passagem Andréia já conseguiu, junto ao governo do estado por intermédio do vice-presidente da Confederação Brasileira de Judô, Marcelo França.

Para Andréia, essa é a chance de voltar ao seleto clube de judocas brasileiras. E ela não mede esforços. Inscrita no Serviço municipal de Intermediação de Mão de Obra (SIMM), ela já recusou uma proposta de trabalho por causa da incompatibilidade com o horário de treino.

“Se não conseguir entrar na seleção em 2012, vou procurar trabalho de novo”, anuncia. A luta está apertada, mas ela está disposta a ir até o fim.
Correio

Divulgação JUDOinforme

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